Saudade não tem cor, mas pode ter cheiro.
Pode parecer engraçado, mas eu tenho um cheiro que me faz sentir saudade. Sempre que estou caminhando pelo centro e passo por uma loja de artigos de festas e doces em geral, sinto saudade da minha infância. Mas não é pelos enfeites coloridos ou pelos docinhos que enchem os olhos de qualquer um: é pelo cheiro!
Lojas de festas têm um cheiro que mistura suspiro com isopor, açúcar com embalagem. Não sei explicar direito, mas se você algum dia já tiver passado por uma loja assim, vai saber de que cheiro estou falando.
Quando era pequena, minha mãe me levava pro centro para fazermos compras juntas. Como a situação financeira não era lá muito boa, esse dia para mim era uma festa! E anda pra cá, anda pra lá, olha preço, experimenta roupa, segura na mão da mãe pra não se perder… Era uma aventura! Mas em todo final de compra era de lei: minha mãe me levava até uma loja de festas chamada Chocovale (pobrezinha, a loja nem existe mais…) e deixava eu comprar salgadinhos.
É, eu sei. A maioria das crianças ia pedir doce, mas eu sempre gostei mais de salgadinhos. Sabe aqueles anéis de cebola que o vendedor pesa e coloca no saquinho? Era esse que eu sempre queria! Enquanto o moço pesava e minha mãe pagava, eu ficava olhando as vitrines coloridas com enfeites de parede, bexigas, velinhas… O engraçado é que eu nunca pensava que aquilo tudo estava à venda e que, se minha mãe comprasse, poderia ser meu. Nunca desejei aqueles enfeites. Eu queria que eles sempre estivessem ali, lindos e coloridos, pra quando minha mãe fosse de novo ao centro eu pudesse admirá-los mais uma vez.
Acho que a verdadeira saudade que sinto é de como era maravilhoso se encantar com as coisas mais simples.
enviado por: Ana Cláudia Lima, 20 anos.
estudante de Jornalismo na Unesp-Bauru

Deixe um comentário