2,74m x 1,52m

Era uma brincadeira simples: tinha-se que mandar a bolinha para outro lado da rede. Até mesmo um garoto de 8 anos (como eu) poderia fazer, mesmo que desajeitado e sem técnica nenhuma. Mas era uma distração que se acrescentava a lista de brincadeiras de uma infância.

A partir de um tempo, é natural que se comece a pegar o jeito da coisa. E seus amigos-companheiros de brincadeira também. Com isso, começávamos a jogar em método competitivo, mas não deixando de lado a raiz de brincadeira que havia se criado na minha garagem. E nosso círculo de competidores começou a aumentar gradativamente.

Num piscar de olhos, um mero local de brincadeira se transformou num tipo de centro de treinamento para tênis de mesa. Muitos de nós, inclusive eu, líamos livros, víamos vídeos e procurávamos dicas e truques para aperfeiçoar o jogo. Todas as tardes, após as aulas da sétima série, jogávamos cerca de 2h a 4h, em esquemas de campeonato, para testarmos nossas novas habilidades.

Com isso, começamos a ganhar notoriedade fora daquele universo-garagem. Torneios interclasses, intercolegiais, inter-regionais, extra-municipais. Nessa época, eu pensava: como uma raquetezinha poderia oferecer um sentimento tão agradável.

Mas aí, com a separação dos amigos de treinamento por causa de estudos, novamente num piscar de olhos, a mesa se transformou em outras utilidades, como apoio de caixas velhas de papelão. A raquete virou um abrigo para uma aranha. E a bolinha em “comida” para gato.

Hoje, com 20 anos e terceiro ano de faculdade, quando passo pela minha garagem, de vez em quando eu tiro as caixas velhas e a dona aranha e arrisco algumas jogadas. A cada batida lembro de uma cena do passado.

Não sinto saudade da época competitiva. Sinto saudades dos gritos quando um lance dava certo, das risadas quando a bolinha voava para o telhado, dos cumprimentos quando se consagrava um vencedor, enfim, tenho saudades daqueles tempos, em que a amizade transbordava na superfície através dos amigos, raquetes e bolinhas. Para mim, saudade é isso: quando você vê alguma coisa e essa coisa te toca na memória, te trazendo lembranças boas e claras. Como aquela mesa de 2,74m x 1,52m da minha garagem.

enviado por: Gabriel Minoru Ishida, 20 anos.
estudante de Midialogia na Unicamp.
website: BLOG LA MISSION 2008

~ por partcipantes em Maio 9, 2008.

Deixe uma resposta