Tenho saudade de tudo aquilo que ainda é.

•Junho 27, 2008 • Deixe um comentário

tenho saudade de tudo aquilo que ainda é.

dos momentos enquanto os vivemos

das pessoas enquanto convivemos

dos locais por onde passamos

saudade sem lógica

saudade que precisa existir só depois que tudo se for

mas que por algum motivo teima em surgir e se transforma em medo

medo da saudade, medo que paralisa

mas mesmo assim, até saudade desse medo

saudade que vai crescer e se misturar à saudade de tudo e todos que já se foram

saudade que vai crescer

e inevitavelmente doer

quando mais nada restar…

enviado por: Fernando M. Collaço, 21 anos.
estudante de Comunicação Social – Midialogia, Unicamp.

Stay Away.

•Junho 25, 2008 • Deixe um comentário

Essa música é de uma banda japonesa chamada L’arc~en~Ciel. É uma música extremamente dançante, mas não é esse exatamente o ponto. A primeira vez que eu a ouvi, estava na oitava série. É engraçado, mas toda vez que a ouço, lembro daqueles dias. Não sei, lembro que ficava ouvindo essas músicas no computador e depois as gravava em fitas cassete para ouvir num velho walk-man do meu pai.

A letra da música não é realmente importante. O ritmo que me dá a exata sensação de estar sentado na classe de um grupo de amigos que conheci naquele ano, com somente um dos fones no ouvido e com o outro eu escutava a conversa e ria. A sensação é praticamente real quando fecho os olhos. Sinto saudade. Saudade de como eu era ingênuo naquela época talvez, saudade de como a gente descobre tanta coisa nova quando se têm 14 anos. Foi naquela época que me apaixonei pela primeira vez.

Diria até que sinto saudade daquele walk-man, pois mudei de escola no ano seguinte e por um tempo me senti muito sozinho, mas ele estava lá, com sua qualidade de áudio péssima e suas fitas pesadas. Não, talvez não sinta tanta saudade dele assim…

Hoje em dia, dificilmente escuto essa música em particular, mas toda vez que a escuto, lembro daqueles dias. Foi lá que escolhi e aprendi muita coisa do que sou hoje. Ao mesmo tempo que essa canção me dá boas lembranças, ela também me dá a certeza de que foram tempos dos quais eu não posso reclamar. O mais irônico, é que o título da música é exatamente o oposto do que eu sentia quando tinha 14 anos.


enviado por: Marcos Singulano, 21 anos.
estudante de Midialogia na Unicamp.

Conceição do Rio Verde.

•Junho 22, 2008 • Deixe um comentário

Saudade pra mim tem localização geográfica: Conceição do Rio Verde, Minas Gerais! Morei lá até os meus dez anos e depois me mudei para uma cidade bem maior. Lá a gente não precisava comprar comida, tinha tudo plantado no quintal. Aliás não era quintal, era terreiro! Um quintal que – pelo menos para uma menina com menos de dez anos – era enorme! Lá no fundo tinha um galinheiro e do lado um bambuzal do qual eu morria de medo! Meus irmão brincavam de esconde-esconde lá, mas como eu era a caçula nunca podia ir junto. Tinha também a janela da frente, adorava me pendurar nela e ficar olhando o movimento na rua. Bons tempos.

Quase trinta anos depois voltei para visitar minha pequena cidadezinha. Hoje ela não é mais tão pequena, a cidade cresceu mas continua muito tranquila. O que mais me chocou mesmo foi visitar minha antiga casa. A janela em que eu me pendurava hoje me parece tão baixinha. E o quintal não é mais o mesmo: derrubaram o galinheiro e dividiram o quintal com uma casa que fica nos fundos. Uma amiga de lá me contou que a casa estava a venda,perguntou se eu não me interessava em comprá-la. Por um momento todas as minhas memórias disseram que seria delicioso ter de volta a casa da minha infância. Mas então o bom senso me alertou: “a casa não é a mesma, a cidade não é a mesma, mas – principamente – você não é a mesma.” Não comprei. Acho que passaria a ver a casa com uma certa melancolia e isso poderia estragar as mais deliciosas lembranças que tenho. Prefiro guardar essa saudade no coração.


enviado por: Ana Maria dos Reis,
São José dos Campos – SP.

A falta que o “ontem” faz…

•Junho 10, 2008 • Deixe um comentário

Marina e seu pai

Tenho saudades dos meus tempos de criança… Das brincadeiras de amarelinha na rua… Dos meus primos brincando (e brigando!) comigo… Das brincadeiras na chácara, a noite…

Mas poucas coisas superam as saudades que sinto do meu avô/pai. Seu assobio quando chegava em casa. O jeito como me chamava de “filhota”. As cartinhas que ele me deixava todas as manhãs em cima da mesa da cozinha. Cada momento que eu passava com ele, enquanto ele me ensinava o que era certo e o que era divertido! Saudades do cheiro dele. Da risada que ele dava quando achava alguma coisa engraçada. De como ele gostava que eu lesse o jornal pra ele. Do jeito como me abraçava. E de todo o carinho que ele me dava.

Acho que até perder meu “pai”, nunca havia perdido ninguém tão próximo a mim.

E foi aí que comecei a sentir uma dor absurda. Uma dor que eu não conseguia explicar. Não adiantava chorar. Ela não passava. E eu fui guardando essa dor comigo. Uma dor que foi se transformando em algo diferente. Foi se transformando em um sentimento. Mas um sentimento tão bonito e tão profundo… E que tempos depois, eu descobri se chamar “saudades”.

Enviado por: Marina Luccas Castro, 21 anos.
estudante de Comunicação Social – Midialogia na Unicamp.

COMO MANDAR UMA HISTÓRIA

•Junho 5, 2008 • Deixe um comentário

Como faço pra escrever uma história?

Muito simples!!! Conte-me sua história! Do que vc sente saudade? De uma época? de um livro? de alguém? de uma cidade? Enfim, qualquer coisa!! Pode ser música, fotografia, desenhos ou apenas texto e mande para meu e-mail – marcos.singulano@gmail.com, com seu nome completo, onde estuda, cidade e idade!

Marcos S.

Almanacão.

•Maio 30, 2008 • Deixe um comentário

Quando tinha em torno de uns 4 ou 5 anos, eu tinha um problema crônico de insônia. Na verdade não insônia no sentido de que eu não conseguisse dormir, mas no sentido de que se eu acordasse no meio da noite por qualquer razão que fosse, eu não dormia de novo. Do que me lembro desses tempos, acho que eu acordava e começava a pensar tanto em qualquer coisa – o iogurte que eu ia tomar na escola, a forma das letras, o quadrinho do cascão – que eu não conseguia mais pegar no sono.

O pior é que, como criança, depois de um tempo acordado, rolando na cama, pulando nela um pouco, eu ficava entediado e começava a acordar quem tivesse na minha frente. “Vai ver a mãe”, dizia minha irmã. “Vira pro lado e conta até dez sem pensar em nada”, dizia minha mãe. Eu voltava falando que não tinha dado certo. “Então fica quietinho esperando que o sono vem”. “Mãe, não veio, e daí?”. “Chama seu pai”.

Meu pai então sempre pagava o pato pela minha falta de vontade de dormir. Como no dia seguinte ele tinha sempre que estar no pronto socorro, ele uniu seus conhecimentos em eletrônica com seu amigo dono de locadora videolocadora e começou então a copiar um monte de filmes que tivesse na locadora – Branca de Neve, Pinóquio, A Bela e a Fera, Turma da Mônica e a Sereia, As Melhores Aventuras de Tiny Toon. Um dia lembro dele, antes de eu ir dormir: “Filho, se você acordar, aperta esse botão aqui que é o power nesse controle, depois aperta essa aqui no outro controle que é o play e assiste”.

O tiro saiu pela culatra. Dormia só porque minha mãe falava pra minha irmã se certificar que eu ia dormir, mas já pensando em ver o novo filme. Aquela velha coisa de criança de ver o mesmo filme várias e várias vezes, até o infinito, aprendendo todas as falas, decorando todos os pedaços legais. Com a exceção de que acho que poucas crianças faziam isso no tempo do vhs, e se faziam, acho que não era de noite, e se faziam, acho que não aprenderam tão rápido a copiar uma fita sozinhas, e se faziam, não aprendiam a escalar o móvel da televisão pra enviar a fita que quisessem.

Eu virei um megalômano. Queria sempre mais filmes, sempre dormir menos, sempre preferia ir na locadora do que na casa dos meus amigos. Lembro claramente de um final de semana do qual eu devo ter levantado do sofá apenas pra comer e ir no banheiro. Claro que além de ficar puta por perder o Faustão, minha mãe ficou preocupada. Como minha família inteira é de médicos, sugeriram que poderia ser um monte de problemas – tireóide, hormônios, devem até ter sugerido que eu estava com raiva – e lá ia eu por lugares frios, estranhos, com um monte de homem de branco que cheirava a algodão, apenas com a íntima certeza que eu ia pegar o pirulito de morango no final.

Depois de muito tempo, minha mãe decidiu me levar numa psicóloga infantil que era amiga dela de faculdade. Cheguei na sala de brinquedos na qual ela conversava com as crianças. Ela me deu um almanacão da turma da Mônica e pediu pra eu pintar. Comecei, achei chato. Ela falou pra brincar de ligar os pontos. Chato. Jogo dos Sete Erros. Mais chato. Perguntei se podia ler as histórias. Do que lembro da época, acho que ela ficou surpresa – não sei se já tinha sido alfabetizado, mas de qualquer forma, para ela era muito cedo pra querer ler e compreender uma história. Li a história. Era do Astronauta.

Depois disso, ela chamou minha mãe, já no escritório mesmo dela. Não lembro exatamente o que ela falou pra minha mãe, afinal de contas, pedi outro pirulito de morango e depois de um tempo comecei a brincar de campo minado no computador dela. Mas pelo que minha mãe me conta, não é que eu era hiperativo, eu apenas tinha muita vontade de “exercer narrativa”. Não sei o que exatamente ela quis dizer, mas de fato gostava demais de histórias, de filmes, e minha mãe não deveria se preocupar com isso segundo ela.

Na hora de ir embora pedi o almanacão pra ela. Minha mãe morreu de vergonha, mas ela me eu o almanacão, rindo. Acho que perdi ele logo depois, mas desde aquele dia, minha mãe nunca mais se importou se eu ficasse até tarde assistindo filmes, lendo, ficando no computador. E com o tempo eu também comecei a dormir melhor.

Queria saber o que aconteceu com aquele almanacão.

enviado por: Gabriel Jubé.
19 anos, estudante de Comunicação Social – Midialogia na Unicamp

Matta ne!

•Maio 26, 2008 • Deixe um comentário

Por causa de um erro meu, tem aparecido algumas pessoas confusas sobre como mandar os textos. Devo mandar ao e-mail? posto aqui mesmo como comentário?
Então, gostaria de pedir, que os textos, fotos, músicas, sons etc… fossem mandados ao meu e-mail marcos.singulano@gmail.com, com o nome, idade e nome da faculdade, escola, onde estuda etc… e sua cidade.

No mais, gostaria de agradecer todos que têm visto o blog e mandado textos! muito obrigado!

domo arigatô!


Marcos

Saudade não tem cor, mas pode ter cheiro.

•Maio 9, 2008 • Deixe um comentário

Pode parecer engraçado, mas eu tenho um cheiro que me faz sentir saudade. Sempre que estou caminhando pelo centro e passo por uma loja de artigos de festas e doces em geral, sinto saudade da minha infância. Mas não é pelos enfeites coloridos ou pelos docinhos que enchem os olhos de qualquer um: é pelo cheiro!

Lojas de festas têm um cheiro que mistura suspiro com isopor, açúcar com embalagem. Não sei explicar direito, mas se você algum dia já tiver passado por uma loja assim, vai saber de que cheiro estou falando.

Quando era pequena, minha mãe me levava pro centro para fazermos compras juntas. Como a situação financeira não era lá muito boa, esse dia para mim era uma festa! E anda pra cá, anda pra lá, olha preço, experimenta roupa, segura na mão da mãe pra não se perder… Era uma aventura! Mas em todo final de compra era de lei: minha mãe me levava até uma loja de festas chamada Chocovale (pobrezinha, a loja nem existe mais…) e deixava eu comprar salgadinhos.

É, eu sei. A maioria das crianças ia pedir doce, mas eu sempre gostei mais de salgadinhos. Sabe aqueles anéis de cebola que o vendedor pesa e coloca no saquinho? Era esse que eu sempre queria! Enquanto o moço pesava e minha mãe pagava, eu ficava olhando as vitrines coloridas com enfeites de parede, bexigas, velinhas… O engraçado é que eu nunca pensava que aquilo tudo estava à venda e que, se minha mãe comprasse, poderia ser meu. Nunca desejei aqueles enfeites. Eu queria que eles sempre estivessem ali, lindos e coloridos, pra quando minha mãe fosse de novo ao centro eu pudesse admirá-los mais uma vez.

Acho que a verdadeira saudade que sinto é de como era maravilhoso se encantar com as coisas mais simples.


enviado por: Ana Cláudia Lima, 20 anos.
estudante de Jornalismo na Unesp-Bauru

2,74m x 1,52m

•Maio 9, 2008 • Deixe um comentário

Era uma brincadeira simples: tinha-se que mandar a bolinha para outro lado da rede. Até mesmo um garoto de 8 anos (como eu) poderia fazer, mesmo que desajeitado e sem técnica nenhuma. Mas era uma distração que se acrescentava a lista de brincadeiras de uma infância.

A partir de um tempo, é natural que se comece a pegar o jeito da coisa. E seus amigos-companheiros de brincadeira também. Com isso, começávamos a jogar em método competitivo, mas não deixando de lado a raiz de brincadeira que havia se criado na minha garagem. E nosso círculo de competidores começou a aumentar gradativamente.

Num piscar de olhos, um mero local de brincadeira se transformou num tipo de centro de treinamento para tênis de mesa. Muitos de nós, inclusive eu, líamos livros, víamos vídeos e procurávamos dicas e truques para aperfeiçoar o jogo. Todas as tardes, após as aulas da sétima série, jogávamos cerca de 2h a 4h, em esquemas de campeonato, para testarmos nossas novas habilidades.

Com isso, começamos a ganhar notoriedade fora daquele universo-garagem. Torneios interclasses, intercolegiais, inter-regionais, extra-municipais. Nessa época, eu pensava: como uma raquetezinha poderia oferecer um sentimento tão agradável.

Mas aí, com a separação dos amigos de treinamento por causa de estudos, novamente num piscar de olhos, a mesa se transformou em outras utilidades, como apoio de caixas velhas de papelão. A raquete virou um abrigo para uma aranha. E a bolinha em “comida” para gato.

Hoje, com 20 anos e terceiro ano de faculdade, quando passo pela minha garagem, de vez em quando eu tiro as caixas velhas e a dona aranha e arrisco algumas jogadas. A cada batida lembro de uma cena do passado.

Não sinto saudade da época competitiva. Sinto saudades dos gritos quando um lance dava certo, das risadas quando a bolinha voava para o telhado, dos cumprimentos quando se consagrava um vencedor, enfim, tenho saudades daqueles tempos, em que a amizade transbordava na superfície através dos amigos, raquetes e bolinhas. Para mim, saudade é isso: quando você vê alguma coisa e essa coisa te toca na memória, te trazendo lembranças boas e claras. Como aquela mesa de 2,74m x 1,52m da minha garagem.

enviado por: Gabriel Minoru Ishida, 20 anos.
estudante de Midialogia na Unicamp.
website: BLOG LA MISSION 2008

Até Logo!!

•Abril 10, 2008 • 1 Comentário

Até logo…
Dizem que um “até logo” é melhor que um Adeus…talvez seja mesmo.
Nos distanciamos sempre…ás vezes permanentemente, ás vezes temporariamente. Com a distância, vem a saudade e com a saudade vem uma série de sentimentos que muitas vezes nós mesmos não os compreendemos.

A própria palavra “Saudade”, já é tão abstrata que torna dificil significá-la em outros idiomas além do português e mesmo seu significado de solidão, do latim Solitate já difere totalmente da conotação que encontramos hoje. Saudade é aquilo que sentimos ao perdermos uma pessoa importante, ao deixarmos a cidade onde crescemos pela primeira vez ou ao perdermos aquele grande amor. Saudade não tem cor, mas pode ter cheiro. Pode ser o sentimento que mantem uma relação ou apenas o que resta dela. Pode ser uma recordação daquilo que temos esperança de reviver ou rever.
Já diria Clarice Lispector:

“Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.”

Pensando nesta multiplicidade de formas que esse sentimento de “saudade” pode tomar é que pretendo conduzir este projeto. Este trabalho, faz parte de um projeto maior chamado “Participantes sem grupo” (www.participantessemgrupo.wordpress.com) composto por mim e mais dois outros projetos de Thiago Teixeira e Gabriel Jubé para a matéria de Projeto em Multimidia, ministrada pelo professor Hermes Renato Hildebrand para o curso de Comunicação Social – Hab. em Midialogia na Unicamp. Com estes trabalhos, pretendemos resgatar um pouco dos sentimentos que vêm a tona com a distância e com o isolamento do individuo, quando tudo parece apontar em outra direção.

Este projeto, mais especificamente, busca documentar as diferentes formas que fazem com que as pessoas sintam saudades. O que te faz sentir saudade? Uma música, um desenho, um poema, um texto, um livro, uma foto….enfim, tudo o que te traz aquela sensação indentificavél. Mais ainda, quando você escuta, vê e lê, do que sente saudade?
Isso é um pouco do que pretendo buscar por meio de convites a pessoas conhecidas/desconhecidas para que mandem os seus “objetos de saudade” a cada 15 dias, contudo, o convite não fica limitado somente a mim. Mande seus objetos! Convide outras pessoas, para que assim possamos ver as “diferentes formas de sentir saudade”.

Por hora, é só!

Marcos Singulano Ponzoni
e-mail: marcos.singulano@gmail.com